Flá @ 20:55

Qua, 24/06/09

 

Como te sentes hoje? Melhor de certeza. Há já três semanas que não te via sorrir tanto. Hoje quero ir para casa com o teu cheiro. Como no Domingo. Cheguei a casa a cheirar a bebé. Tinha o teu cheiro comigo. Sempre que o notava sentia-me feliz. Próxima de ti. Acho que quero sentir aquilo para sempre…
 
Ao chegar a casa sinto a tua falta. Como em mais nenhum momento do dia. Sinto falta daquela conversa que era já hábito. Do chá que bebíamos ao final da tarde. Das conversas de tudo. De ler o jornal que guardavas para mim em cima da mesa. Da marquise.
 
Lembro com saudade dos almoços e dos jantares em que juntavas toda a família. Apercebo-me, agora, de que não eram animados. Nem sinonimo de uma família unida. Mas eu gostava deles. Ficava sempre entusiasmada. Pela chanfana ou pelo cozido à portuguesa. Pelos tios. Pelo pão que cozias. Não me ensinaste, ainda, como se faz. Na próxima semana seria o almoço da festa. Vem aí o S. Pedro. Não vai haver almoço. Nem pão caseiro, quente, a sair do forno, com manteiga. Estou ainda magoada por não nos teres convidado no ano passado. Nunca percebi porque o fizeste. Fiquei zangada contigo. Agora só estou triste por teres sido injusta.
 
Acho que todos os pequeninos têm direito a tudo o que eu já tive. Esses braços cheios de negras. De marcas deixadas pelas picadelas que tens levado. O ventilador. O ferro espetado no joelho. O respirar lento. Custoso. Deixa-me com medo. Mas não podes ser injusta. Foste-o comigo. Chega. Eles precisam que os acompanhes tal como o fizeste comigo. Não o fizeste de uma forma muito presente, mas tenho a certeza que te melhorarás para eles. Não podes ser injusta e não lhes dar isso. Tal como não me deste o almoço no ano passado. Entendes? Tens de recuperar para eles. Não para mim. Já estou crescida. Mas ainda tens 14 anos de companhia para lhes dar.
 
As tuas Orquídeas estão todas em flor. Grandes e bonitas. Abertas há imenso tempo. Desconfio que estão à tua espera. Temos cuidado do avô o melhor que conseguimos. Mas ninguém como tu o saberá fazer. Acho-o magro. Por azar, se calhar, não gostou do arroz que faço.
 
Fico enternecida ao ver todos os teus filhotes a cuidarem de ti. Desconfio que nem em bebé foste tão bem tratada. Tão acarinhada. Tão feliz. Eu sei que te deixa feliz. Todos juntos. Por ti. Fico com vontade de chorar. Afasto-me para os ver. Para te ver. Deixo de ser eu a dar-te água pela palhinha. De te meter creme nos lábios desidratados. De te abanar com o leque que a tia comprou nos chineses. Fico enternecida. Feliz. Sei bem que os teus filhotes juntos te enchem de alegria.
 
Estás a ser amada e tratada como se fosses um bebé. Até cheiras a bebé. Nunca tinhas tido esse cheiro. Ainda dá mais vontade de pegar na tua mão. De sentir a força que tens. De te perguntar como estás. De saber como se comporta a velha chalada do teu quarto. Se te deixam dormir. Se achas que há enfermeiros giros. De te ouvir… É bom ouvir-te. É bom sentir que nos apertas a mão.
 
É bom beber chá contigo ao fim da tarde. Conversar sobre tudo. Ler o jornal que guardas em cima da mesa para mim. Chegar a casa depois de três horas contigo no hospital e trazer o teu cheiro de bebé. Acho que te amo. Quero muito que fiques boa, avó.


Afonso Castelo Branco @ 21:05

Qua, 24/06/09

 

Meu Amor,

Este é o teu texto em que se nota mais a forma torrencial e fácil com que as palavras foram aparecendo. Acho que tal só foi possível devido à quantidade de coisas bonitas que tinhas guardadas dentro de ti acerca do que viveste com a tua avó. Se calhar, nem te tinhas apercebido acerca de muitas delas até hoje. Fico feliz por te saber feliz no meio de um momento tão delicado. Rezo para que a tua avó melhore e que volte para a tua companhia. É que sabes, gostava imenso de a conhecer. De conversar com ela. De a assegurar que tratarei sempre muito bem de ti...

Anda cá, deita a tua cabecinha no meu peito..

Amo-te imenso, Flavinha..


Flá @ 23:22

Qua, 24/06/09

 

Este texto fala de amor. De felicidade. De pequenos mimos. Pequenas alegrias. Momentos únicos. De olhares que não se esquecem. De olhares felizes. De uma felicidade que existe quando tudo parece perdido.

Deixa-me aconchegar a cabecinha...

Amo-te para lá de qualquer junção possível de palavras, muito obrigada por tudo. Muito obrigada pelo colinho, constante, que tens para mim.

*beijinho na boca*


Artemisa @ 21:39

Qua, 24/06/09

 

Sendo um post tão pessoal, importas-te que leve para os favoritos?



(Lágrimas nos olhos)


Flá @ 23:23

Qua, 24/06/09

 

Artemisa, a honra será toda minha.

Rodrigo Miguens @ 23:19

Qua, 24/06/09

 

Não sei k te diga perante tal escrita!?
Conheço tão bem esta senhora...
Ti Carolina...uma grande mulher!!
Como dizes no post , vem ai a festa, do Padroeiro da nossa terra!!
É dia de alegria, é festa!
Mas se tiveres vontade de chorar?!Chora!!
Chora, no meu ombro...sabes k sou teu amigo!!Aliás, não sou um amigo qualquer!?
Nós, somos verdadeiros amigos!!
Mas antes de chorar...pensa k a tua avó, não gostaria de te ver assim!!
Ela é tão alegre...
Sabes onde estou, sabes o meu número, sabes onde moro...bem somos amigos de muitos anos!!
Bem amiga, não sei bem o k dizer também!!
desculpa...
beijoca
sabes onde me encontrar...



Flá @ 23:28

Qua, 24/06/09

 

Sim, és mais que um amigo. És quase um irmão. Que mais amigos chorariam connosco as nossas aflições? Para além de ti, nenhum.


A ti Carolina, continuará a ser uma grande mulher. E eu sei que no meio de tanta complicação estúpida e inexplicável ela se sente feliz. E ela sabe que gostas muito dela. Tenho-lhe mandado os beijinhos que diariamente lhe endereças. Tenho a certeza que ainda irão falar muito de cabrititos.


Muito obrigada por tudo. És gigante, Rodrigo, gigante.

beijinho


daplanicie @ 22:32

Qua, 01/07/09

 

Minha querida amiga
Espero e desejo que, a esta altura em que comento, a tua avó já esteja restabelecida e de perfeita saúde junto da família! As avós são pessoas muito especiais e que, quando partem, deixam uma grande dor no coração. Aproveita bem todos os momentos com ela, não te vais arrepender!
Beijinho grande


Flá @ 21:46

Sex, 03/07/09

 

Olá, querida, Daplanicie

Infelizmente, ela nunca vai restabelecida. Os médicos têm vindo a preparar-nos para o pior. Infelizmente, certos problemas oncológicos não são reversíveis. Tenho aproveitado ao máximo e dentro do possível todos os momentos com ela.

Muito obrigada por me acompanhar, também, nesta altura.

Beijinho enorme


Aninha @ 20:10

Qui, 02/07/09

 

o teu texto deixou-me de lágrimas nos olhos. e com um nó na garganta... o mais difícil desta vida e perdermos alguém que amamos..mas a partida é apenas o começo...
Força meu torrão de açúcar..FORÇA!!!
GOSTO MUITO DE TI!!


Flá @ 21:51

Sex, 03/07/09

 

Aninha, muito obrigada.

Apesar de estarmos mais distantes espacialmente continuas sempre presente.

Também gosto muito de ti, meu bombonzinho.

Obrigada pelo ombro que me ofereces mais uma vez.

beijinho


Kai @ 14:46

Qui, 09/07/09

 

São com as acções, com o que acontece que somos felizes ou tristes. Mas de vez em quando há acções que nos foram agradaveis que mesmo recordando-as voltam a fazer-nos sentir felizes, a voltar querer repetir. Acho que foi isso que vi neste post, sinceramente simples de honestidade, que estás feliz por esses momentos. Espero que recordes esses momentos por muito mais tempo e as melhoras para a tua avó!

Bju :)


Flá @ 20:21

Sex, 10/07/09

 

Sim, há recordações que nos deixam quentinhos por dentro só de pensarmos nelas. Muito obrigada pelas palavras amigas.

beijinho

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