Flá @ 21:00

Qua, 03/04/13

            Preciso que me fodas! Como se nunca o tivesses feito. E a verdade, é que preciso como nunca antes precisei. E preciso que o faças como nunca antes o fizeste.

            Preciso que me fodas como se nunca o tivesses feito antes!

            Esquece a minha imagem doce. Doce, toda vestidinha e engomadinha. Esquece a minha imagem doce ao adormecer nos teus braços. Esquece que há possibilidade de doçura na minha carne.

            Sou só um pedaço de carne que vais querer foder. Um pedaço de carne que vais querer que te peça clemência.

            Quero destruir esse ar de menino bem comportadinho. Quero destruir esse cabelo empertigado. Quero arruinar a tua camisa sem vincos.

            Eu bem sei que o meu decote te deixa grande. Que o meu cabelo pelo meio das costas te deixa grande. Que até as minhas sardas te deixam grande.

            Por isso quero que me fodas!

            Fode-me como se andasses há meses a olhar-me. A olhar para o meu decote. A olhar para o meu rabo. A olhar para o modo admirável como abano o rabo enquanto danço.  Fode-me como se andasses há meses a bater punhetas a pensar em mim.

            Faz-me sentir as tuas imaculadas mãos. Faz-me sentir tudo do teu tão imaculado corpo. Imaculado e grande.

            Bebé-estou-tão-mas-tão-incrivelmente-excitada!

 

 

            Esta foi a minha tentativa de te compor um tango.


sinto-me: De cabeça perdida!
música: She's a go go dancer - Wraygunn


Flá @ 21:25

Sab, 29/09/12

   A tua voz de manhã abre-me todos os poros. Abre-me o apetite. Estilhaça-me a moralidade. Atira para longe todos os pensamentos civilizacionais possíveis ao acordar. Altera-me as vontades para todo o dia. Para todo o santo dia!

Não me sei já capaz de te beijar civilizadamente. Não sei chegar ao café e beijar-te civilizadamente. Esses teus lábios…essa tua voz!

 

   Bom dia. Bebé, gostas quando eu sou marota? Muito marota? É que hoje é sem querer e é irrepreensível. Não tens outra opção se não a de ficares quietinho. Caladinho. Vou-me aproximar muito de ti e contar-te o que secreta e doentiamente me apetece fazer desde que vi a tua chamada de manhã. Sim, este decote era mesmo imperativo. Todas as golas me queimavam hoje.

 

   Apetece-me pegar em ti pelo braço e levar-te daqui. Levar-te para um hotel rasca ou para um motel cheio de pinta. Para qualquer lugar onde não nos importemos de fazer corar os vizinhos. Vou querer que tenha secretária.

Para quê? Ora! É fácil! Lembrei-me que podia descansar lá as pernitas enquanto me dizes se dormiste bem de noite. Vais, como agora, fazer o que eu te disser. Vais, tirar todas as peças de roupa que te apeteçam. Deixas que seja eu a tratar das tuas calças. Apenas das tuas calças. Adoro que ganhem volume antes de caírem no chão. Uma mão desavergonhada e a minha língua a passear nos teus lábios ajudam a concretizar todos os meus desejos. Mas sabes bem que não consigo ficar por aí. Paro quando mo implorares. Como de costume. Deixo que sejas tu a descobrir o que me apetece depois. Tenho uma pista: afasta-me os joelhos. Provoca-me a gemidos escandalosos. Pornograficamente escandalosos!

   Permitirei, depois, que me tires a franja dos olhos para que possas ver exactamente o que ainda há para fazer. Há muito ainda a fazer! E tempo é coisa que em dia de folga não falta.

   E nem penses em chegar logo ao fim! Nem penses… Vais-me foder até explodirmos os dois de prazer! Freneticamente…

 

   Meu menino, de hoje não passa!


sinto-me: Adormecida
música: My Stomach is the most violent of all of Italy


Flá @ 23:55

Seg, 25/06/12

De Maio para cá que os pesadelos têm ocupado demasiado a minha mente. A minha mente inconsciente. Nas minhas noites solitárias de Verão. Claras. Barulhentas. Abafadas. Peganhentas. De Maio para cá que os pesadelos têm ocupado demasiado a minha mente. A minha mente consciente. Nas manhãs de chuviscos. Frias. Opacas. Feitas de correrias. Peganhentas. De Maio para cá que os pesadelos têm ocupado demasiado a minha mente alienada, ao escurecer.

 

 

De Maio para cá que sofro de insónias doentias. E peganhentas.

 

Preciso que alguém me ajude a ter boas noites de sono. Ou que, simplesmente, me tranquilize as insónias num abraço.


sinto-me: "Tás a fazer?"
música: Hey, sister ray - Legendary Tigerman and miss Rita Redshoes


Flá @ 02:35

Sex, 01/06/12

Um dia pararão de cair pássaros mortos das árvores. Um dia pararão as enxurradas de sapos. As estatísticas deixarão de fazer notícias. Desaparecerão as notícias. Deixarão de haver notícias para noticiar. Tudo passará a ser calmo. Sereno. Tranquilo. Um dia os filhos ficarão crescidos e as preocupações desaparecerão. Depois vão chegar os netos. Que vão ficar crescidos e encaminhados. Calmos. Serenos. Responsáveis. Felizes. E seguros. Aí, sim, desaparecerão para sempre as noites de trovoada. Deixará, simplesmente, de existir qualquer tipo de carga elétrica a pairar nas nuvens.

 

Um dia vou deixar de espreitar pela janela. Deixarei de ficar esmagada com as pessoas que vão derretendo nas ruas. Que vão derretendo de miséria. Que vão derretendo de podridão. Que vão derretendo de burrice e estupidez. Um dia deixarei de ficar esmagada por doenças oncológicas. Por acidentes frontais que vitimizam mortalmente amigos da família. Um dia todas as preocupações preocupantes desaparecerão. Definitivamente.


Quero morrer entre um abraço de um neto e um bordado para um bisneto. Um abraço afectivo. E um bordado imperecível. Haverá morte mais feliz?

 



sinto-me: Com insónias! Obesas!
música: Lux Aeterna - Clint Mansell


Flá @ 02:35

Qua, 16/05/12

Tenho engordado os meses de tanto raciocinar tudo. Cada olhar. Cada palavra.
D’agora em diante não vou voltar a dramatizar.  Desculpa-me, os dramas racionalmente irracionais. Desculpa-me por te falar de mais e por te raciocinar (também) de mais.

 

Temos que degredar todo o espaço que temos guardado para as nossas tentativas vãs de hiper lucidez. Nem sempre tem de haver um beijo antes de dormir. Não vou dramatizar se não mo deres pessoalmente ou se não me mandares por carta a intenção de me dares um beijo ao deitar.

 

Hoje não há razão! Não quero argumentos. Ou falsas promessas. Nada!

 

Quero ser pueril! Não quero pensar…. Mas é inevitável não sentir a tua falta nas minhas manhãs. A tua voz faz-me falta. O desejo da materialização dos nossos corpos nus faz-me falta. Fazes-me falta de manhã. Pronto! Não é racional é emocional (de emoção) esta falta que me fazes. Pronto!

 

De hoje em diante não quero pensar no tom distante com que me terás ou não falado. Não quero pensar no tom doce que poderia haver, mas que nem sempre há, nem tem de ser constante. Ou existente. Se quer! Não o quero fingido. Não vamos fingir. Não vamos pensar. Não vamos dramatizar.

 

Mas hoje...hoje, espero que estejas disponível. Totalmente, disponível para mim.

 

Espero que estejas disponível para conhecer para lá do cinto de ligas e do batom vermelho.  Hoje, espero ver-te despojado de toda a razão.

 

Depois? Bebé, depois fumamos um cigarro e falamos de pintura!


sinto-me: Racionalmente irracional!
música: Lana Del Rey - Video Games


Flá @ 01:39

Sex, 30/03/12

Deixa-me ajudar-te a tirar essa camisa-grilhão que me impede de chegar mais perto de ti. Que me impede de conhecer o teu cheiro, a tua pele. O teu arrepio.

 

Deixa-me sussurrar-te o que me vai na cabeça e me estremece o corpo.  

 

Consigo sentir a dormência de todo o teu corpo na tua voz sumida. Ofegante. Mostra-me que o teu olhar também tem mácula e tira por umas horas esse ar sempre doce. Sempre demasiado doce. Larga pela sala toda a emocionalidade das relações e deixa também por ai as moralidades. Voltadas para baixo para que eu não as veja. E não me pesem.

 

Depois compomo-las.

 

Murmura-me, por favor, sem subtilezas, tudo o que achas de mim. Achas-me detestável? Óptimo. Que fazes de mim assim, despida e, detestavelmente, apetecível?

 

Vamos acabar com isto de uma vez!


sinto-me: Bem comportada
música: Morphine - The Night

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